Claudiney Batista , Aser Ramos e Beth Gomes estão entre os que superaram recordes no Open de atletismo

O bicampeão paralímpico Claudiney Batista bateu o recorde das Américas no lançamento de disco na classe F56 (cadeirantes) no sábado, 1º de abril, último dia do Open Internacional de atletismo. O atleta mineiro lançou para 46,99m na competição, disputada no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, desde quinta-feira, 30 de março.

 Claudiney Batista – Foto: Alessandra Cabral/CPB

A marca deste sábado é superior aos 46,68m, alcançados pelo próprio Claudiney em junho de 2018, também na capital paulista. “Estou bem confiante que posso melhorar. Ainda estamos no começo do ano e entrarei em um ritmo melhor de competição ao decorrer da temporada”, disse o lançador, que, por ter sido medalhista de ouro nessa mesma prova nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, já está garantido no Mundial de atletismo de Paris, que será disputado entre os dias 8 e 17 de julho de 2023.

De acordo com os dados disponíveis atualmente no site do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês), a distância atingida por Claudiney, no Open, também seria recorde mundial, já que, segundo a entidade, a melhor marca vigente é a de 46,68m feita pelo próprio mineiro há cinco anos. No entanto, o ranking de 2022 do mesmo IPC mostra que, em agosto do ano passado, o indiano Yogesh Kathuniya lançou para 48,34m, em Bangalore, na Índia. Essa marca, então, seria a melhor do mundo, mesmo que a seção de recordes mundiais do IPC esteja desatualizada.

O Open Internacional de atletismo, que não era realizado desde 2019, recebeu inscrições de 150 atletas de Brasil, Argentina e Uruguai. Ao todo, o evento registrou uma quebra de recorde mundial, feita pela paulista Beth Gomes (F53) no lançamento de disco, e oito das Américas.

“Estou muito feliz com a minha participação no evento. Fechei com mais uma medalha de ouro, agora, no lançamento de dardo. Estou ansiosa pelas próximas competições”, disse Beth, que disputou as provas de lançamento de disco e dardo, na sexta-feira e no sábado, respectivamente.

Uma das novas marcas continentais estabelecidas durante a competição foi a do catarinense Edenílson Floriani, da classe F42 (deficiências nos membros inferiores), que, no lançamento de peso, neste sábado, atingiu a distância de 14,19m. Ele superou os seus próprios 14,13m, obtidos em março de 2022, no CT Paralímpico. “Estou vindo de lesão e fiz uma cirurgia no ombro em dezembro. Voltar na primeira competição, atingindo o recorde das Américas, é muito gratificante. Vejo que tudo o que passei deu resultado”, celebrou.

Aser Ramos – Foto: Alessandra Cabral/CPB

O atleta gaúcho Aser Ramos, da classe T36 (atletas com paralisia cerebral), bateu o recorde das Américas no salto em distância, com a marca de 5,76m, na manhã desta sexta-feira, 31, durante o Open Internacional Paralímpico de atletismo. A competição reúne 150 atletas em provas de pista e campo, desde quinta-feira, 30, até sábado, 1º de abril, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.

A distância do salto de Aser é igual à alcançada pelo russo Evgenii Torsunov, nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. A marca é o atual recorde paralímpico e rendeu a medalha de ouro ao atleta à ocasião. Na mesma disputa, Aser saltou para 5,58m e ficou na quarta colocação.

A marca de Aser deverá ser homologada como recorde das Américas, que, antes, pertencia a outro brasileiro. Rodrigo Parreira saltou 5,62m nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016.  “Estava muito confiante, porque estou treinando muito forte em Porto Alegre. Minha meta é quebrar o recorde mundial [5,93m]. Não deu hoje, por um mínimo detalhe, mas tenho condições de chegar lá”, disse o atleta, que tem paralisia cerebral devido a uma icterícia neonatal e representa o clube RS Paradesporto. 

Além da possibilidade de ser homologada como recorde das Américas, a marca obtida por Aser é a maior do ano em sua classe, superando os 5,69m do ucraniano Izzat Turgunov, que saltou a distância no último mês de fevereiro, em Dubai. “O que me motiva hoje é a minha família. Queria que estivessem aqui, mas trago eles no coração. São eles que me fazem querer quebrar recordes e colocar a medalha no peito”, concluiu o gaúcho, que vive a expectativa de ser convocado para o Mundial de atletismo paralímpico de Paris (FRA), de 8 a 17 de julho de 2023, e para os Jogos Parapan-Americanos de Santiago (CHI), em novembro. 

Beth Gomes quebra novo recorde
A atleta santista Beth Gomes registrou um novo recorde mundial nesta sexta-feira. Após ser reclassificada para a classe F53 (cadeirantes), durante o Grand Prix de Marrakech, Marrocos, no início de março, Beth estabeleceu as melhores marcas no arremesso de peso, lançamento de dardo e, agora, no lançamento de disco.

Beth Gomes – Foto: Alessandra Cabral/CPB

Durante o Open Internacional,  a brasileira atingiu a marca de 16,59m e superou os 16,26m da ucraniana Iana Lebiedieva, registrados em Dubai, no mês de dezembro de 2019. Vale destacar que Beth também é recordista mundial no lançamento de disco da classe F52, pela qual lançou para 18,25m, em julho do ano passado, no CT Paralímpico. Inclusive, ela é a atual campeã paralímpica da prova.

Além de Claudiney e Ednilson, outros cinco atletas quebraram recordes continentais em suas provas: Aser Ramos, salto em distância (F36); Cícero Nobre, lançamento de dardo (F57); Matheus de Lima, 100m (T44), Zileide da Silva, salto em distância (T20); e Wanna Brito, que registrou duas novas marcas na classe F32: lançamento de club e arremesso de peso. A competição ainda foi marcada pela participação do velocista paraibano Petrúcio Ferreira, bicampeão paralímpico nos 100 m da classe T47, que estabeleceu o melhor tempo da prova em 2023 durante o Open: 10s55.

Patrocínios
O atletismo é uma modalidade patrocinada pelas Loterias Caixa e pela Braskem.

Programa Loterias Caixa  Atletas de Alto Nível
Os atletas Claudiney Batista, Aser Ramos e Beth Gomes são integrantes do Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual da Loterias Caixa que beneficia 91 atletas.

Time São Paulo
A atleta Beth Gomes é integrante do Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 106 atletas de 14 modalidades.

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