Athilla Anderson dos Santos é recordista brasileiro no lançamento de dardo da classe F46. Encontrou o atletismo em 2023, após ter que amputar o braço esquerdo por causa de um câncer

Ser atleta faz arte da essência de Athilla Anderson dos Santos, de 24 anos. Bicampeão e recordista brasileiro no lançamento de dardo, na classe F46 (atletas com deficiência em membros superiores), o jovem pernambucano, de Petrolina, encontrou no atletismo “uma filosofia de vida” e o caminho para seguir praticando esportes.
Em 2023, Athilla foi diagnosticado com um câncer no antebraço esquerdo e precisou amputar o membro para que o tumor não se espalhasse pelo resto do corpo. Jogador de handebol, ele queria seguir no esporte, foi quando a Associação Petrolinense de Atletismo (APA Petrolina) surgiu em sua vida.
– Natanael [Barros, diretor da APA] já tinha mencionado a APA, só que eu nuca fui procurar. Até que uma professora da APA encontrou minha mãe por acaso e minha mãe falou da minha situação, que eu estava em tratamento e que sempre fui atleta e queria seguir como atleta – lembra Athilla.
Embora quisesse seguir no esporte, a falta de conhecimento foi um desafio que Athilla precisou superar.
– Eu não sabia ainda que existia atletismo paralímpico, eu nem conhecia o atletismo. Eu achava que o atletismo era só os 100 metros. Não conhecia a fundo.
A conexão entre Athilla e o atletismo foi imediata, tanto, que dois dias depois de encerrar as sessões de radioterapia, já estava treinando.
– Comecei treinando atletismo, quando passou dois meses já estava na pista. Aí passou um tempo, comecei a pegar gosto pela coisa e comecei a treinar todo dia.
A força no braço, que era usada para jogar handebol, mostrou que o caminho de Athilla no atletismo estava no lançamento de dardo. Em 2024, disputou o Campeonato Brasileiro de Atletismo Paralímpico pela primeira vez e, além da medalha de ouro, bateu o recorde nacional. No início do mês, voltou ao Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, e repetiu a dose.
– É uma sensação muito boa, né? A gente vem trabalhando o ano todinho, treinando todos os dias sem faltar. Às vezes acontece um contratempo, mas, mesmo assim, a gente se esforça para continuar treinando, se mantendo no alto nível. A gente sempre vem com um objetivo de fazer o melhor que pode nessas competições, principalmente no Brasileiro, que é nossa competição alvo.
A rotina e disciplina nos treinos explicam o sucesso do bicampeão brasileiro. O objetivo é viver do esporte e representar Petrolina, a APA e o Brasil nas grandes competições.
– Eu levei o atletismo como uma filosofia de vida agora, né? Eu não treino atletismo simplesmente por uma questão de superação, dizer que ai , é paralímpico, não. É meu trabalho. Eu quero viver o atletismo para minha vida toda. Eu quero chegar em uma Paralimpíada da vida, eu quero ir para um mundial.


