Marcha atlética ganha distância de maratona: entenda mudanças para 2026

Brasil receberá o primeiro Mundial com a maratona e a meia-maratona na marcha atlética, novidade que passa a valer nesta temporada. Saiba mais sobre a mudança

marcha atlética é uma das provas do atletismo que mais tem passado por mudanças recentemente. Em 2026, começa a valer mais uma novidade: a partir deste ano, homens e mulheres marcharão uma maratona (42,195km) e uma meia-maratona (21,1km), em substituição às provas de 35km e 20km.

Entre Los Angeles 1932 e Tóquio 2020, a distância mais longa da prova foi de 50km. Em Jogos Olímpicos, era disputada apenas por homens. As mulheres puderam competir na distância nos Mundiais de 2017 e 2019.

Em Paris 2024, já fora do programa, a prova foi substituída já pela maratona, mas em revezamento misto, com a participação de um homem e uma mulher – a distância também deixou de ser disputada. Em LA 2028, a marcha atlética terá apenas a distância da meia-maratona (21km). 

Inicialmente, a distância mais curta da marcha atlética era 10km, parte do programa Olímpico a partir de Estocolmo 1912. A prova de 20km foi introduzida em Melbourne 1956, e permaneceu até Paris 2024.

Foi nessa distância que Caio Bonfim conquistou a inédita medalha de prata para o Brasil. Além disso, o brasileiro ganhou a prata nos 35km e o ouro nos 20km do Mundial de Tóquio, realizado em 2025.

Sebastian Coe, presidente da World Athletics, disse que a mudança poderá aproximar o público em geral da marcha atlética. 

“Foi uma boa decisão fazer essa modificação para distâncias que as pessoas já estão acostumadas. O público poderá relacionar os tempos de prova (com a corrida) e ver como os marchadores são rápidos e talentosos”, afirmou o britânico.

Coe também informou que as distâncias da marcha atlética não devem passar por novas mudanças no futuro.

Primeiro Mundial com as novas distâncias será no Brasil

O Brasil terá a honra de receber o Mundial de estreia com as novas distâncias da marcha atlética. No dia 12 de abril, o país será sede do Mundial de Marcha Atlética por Equipes, na cidade de Brasília. É a primeira vez que a América do Sul recebe a competição.

O Mundial, portanto, será na casa do medalhista Olímpico e campeão mundial Caio Bonfim, que vive e treina na cidade-satélite de Sobradinho. Além do fator casa, o marchador aprova as mudanças.

“Estou feliz com as distâncias, particularmente, gostei. Fiz o índice para os 50km em dois Jogos Olímpicos. Sei dos desafios da prova e dos treinos, mas já passei por tudo e tenho condições de encarar. A maratona é uma prova boa para o Brasil”, avaliou Caio.

O circuito de rua será montado na Esplanada dos Ministérios, e o evento deve receber cerca de 400 atletas de 50 países. Cada país poderá convocar até cinco atletas de cada gênero para a competição. Além da maratona e da meia-maratona, o Mundial também terá a prova de 10km para a categoria sub-20.

A Copa Brasil de marcha atlética, que será disputada em 25 de janeiro, servirá de evento-teste para o Mundial. Além da disputa da maratona e da meia-maratona para homens e mulheres, a competição terá as provas de 10km sub-20 e 5km sub-18. A disputa será também válida como uma das etapas do Tour Mundial de marcha da World Athletics.

Viviane Lyra e Lucas Mazzo: brasileiros “estreantes” na maratona

Luís Paulo Porto, Viviane Lyra e Lucas Mazzo em Dublin, Irlanda, em prova do Tour Mundial da WA

Os marchadores Viviane Lyra e Lucas Mazzo foram os primeiros brasileiros a experimentar os 42,195km na marcha atlética. Os dois atletas, que se destacaram nas antigas longas distâncias da prova (50km e 35km), testaram a nova prova na etapa de Dublin (Irlanda) do Tour Mundial de marcha atlética, em dezembro.

Viviane foi a única atleta a terminar o prova, que teve a desistência das outras atletas participantes. A carioca de 32 anos encerrou a distância com o tempo de 3h24min54. Desde 2023, ela é a recordista brasileira dos 35 km (2h44min40).

“Foi incrível estrear na distância, um sonho pra mim desde que fazia corrida. Só que foi melhor, porque eu pude fazê-la marchando. Apesar de a prova ter sido muito dura, afinal, uma maratona é sempre um desafio, gostei muito do resultado.” 

Na maratona masculina, Lucas Mazzo terminou em terceiro lugar, com a marca de 3h44min56. O campeão da distância foi o alemão Jonathan Hilbert, vice-campeão Olímpico dos 50km em Tóquio 2020, que terminou o percurso em 3h07min42.

Fonte: https://www.olympics.com/