O dia 22 de agosto é especial. Dia de comemorar três medalhas olímpicas

22 d agosto d 2020 às 10:08 am

O inesquecível ouro de Maurren Maggi no salto em distância teve festa no Ninho de Pássaro e o aplauso de torcedores. O bronze dos revezamentos 4×100 m, herdados depois, são muito importantes para a história olímpica do atletismo do Brasil

Maurren Maggi comemora o ouro (Wander Roberto/COB)

A data de 22 de agosto 2008 é muito especial. Ela não foi comemorada como deveria no Ninho de Pássaro, a principal instalação dos Jogos Olímpicos de Pequim, na China. Das três medalhas conquistadas naquela edição, apenas o brilhante ouro de Maurren Maggi, no salto em distância, pôde ser o alvo das atenções. Ela subiu ao pódio diante de 90 mil torcedores e de milhões de pessoas que acompanhavam a transmissão pela TV em todo o mundo.

O atletismo brasileiro, no entanto, tem muitas mais razões para comemorar neste sábado (22/8) o aniversário de 12 anos daquela data memorável. Afinal, além do histórico ouro de Maurren, o Brasil celebra duas medalhas de bronze nos revezamentos 4×100 m masculino e feminino. Essas conquistas muito importantes demoraram a ser confirmadas. O tempo de espera é proporcional, porém, à alegria e ao orgulho da comunidade atlética nacional.

Maurren conquistou o ouro, com a marca de 7,04 m, no primeiro salto dos seis a que tinha direito. E teve de assistir as adversárias – a russa Tatiana Lebedeva saltou seis vezes, mas só chegou a 7,03 m. “A memória mais forte que tenho daquele dia é do placar e que ela tinha saltado 1 cm a menos. Foi o momento mais importante da minha vida”, declarou Mauren para registros históricos da imprensa brasileira. A russa acabou perdendo a medalha de prata algum tempo depois por falhar no exame refeito de dopagem.

O triunfo de Maurren começou a se desenhar no primeiro dos seis saltos permitidos pelo regulamento. Mesmo pressionada pela marca conseguida – também na tentativa inicial por Lebedeva (6,97 m) -, a brasileira conseguiu os 7,04 m e passou a torcer para não ser superada. A rival falhou nos quatro saltos seguintes e deixou a emoção para a sexta e última tentativa: 7,03 m, apenas um centímetro abaixo da marca da brasileira. Maurren também falhou nas outras tentativas, com exceção da quinta, quando marcou 6,73 m, mas a vitória estava assegurada. Ela conquistava a quarta medalha de ouro olímpica do atletismo brasileiro.

4×100 m – Como diz o ditado, a justiça tarda, mas não falha. Os revezamentos 4×100 m tiveram de esperar e superar o sentimento de frustração por não serem premiados no pódio e por outras consequências geradas pela não conquista imediata das medalhas.

Atletas do 4×100 com Nakaya (Wagner Carmo/CBAt)

As atletas da equipe feminina só souberam no dia 30 de setembro de 2016, que herdariam o terceiro lugar dos Jogos de Pequim em função da desqualificação da Rússia, que terminou em primeiro lugar, mas teve uma de suas atletas (Yulia Chermoshanskaya) com resultado positivo em controle de doping, refeito tempo depois com o material colhido à época.

Assim, a Bélgica, que fora a segunda colocada com 42.54, ficou com o primeiro lugar e a medalha de ouro. A Nigéria, que terminou em terceiro com 43.04, terminou na segunda colocação. E o quarteto do Brasil, que fora o quarto com 43.14, herdou o bronze.

As atletas que competiram pelo Brasil, na prova, foram, pela ordem: Rosemar Coelho Neto, Lucimar Moura, Thaissa Presti e Rosângela Santos. Na preliminar, disputada um dia antes, a 21 de agosto, a mesma equipe chegou em terceiro lugar da Série 1, com 43.38.

As medalhistas receberam as medalhas no dia 29 de março de 2017, durante a festa do Prêmio Brasil Olímpico, do COB, no Rio de Janeiro. As atletas subiram ao pódio improvisado no palco para emoção de centenas de convidados.

“Acho que fiquei mais nervosa do que estaria na China” disse Lucimar. “Realizei o grande sonho de todo o atleta olímpico, que é o de conquistar uma medalha numa Olimpíada”, completou Thaissa.

Ana Claudia Lemos e Evelyn Santos, reservas em Pequim, foram lembradas, assim como o treinador Katsuhico Nakaya.

Brasileiros no pódio no COI (Christophe Moratal/COI)

11 anos depois – Já a equipe masculina teve de esperar mais tempo. O Comitê Olímpico Internacional (COI) só informou oficialmente no dia 7 de dezembro de 2018 ao Comitê Olímpico do Brasil (COB) que a medalha de bronze estava garantida.

Vicente Lenilson, Sandro Viana, Bruno Lins e José Carlos Moreira, o Codó, ficaram com a medalha após a desqualificação da Jamaica, que havia sido a primeira colocada. A decisão do COI foi tomada após parecer da Comissão Disciplinar da entidade e da Corte Arbitral do Esporte (CAS) que julgaram procedente o teste positivo refeito de Nesta Carter, tirando um ouro do supercampeão Usain Bolt.

O quarteto brasileiro só recebeu a medalha no dia 31 de outubro de 2019, após mais de 11 anos de espera, no Museu Olímpico do COI, em Lausanne, Suíça. Com a reclassificação, Trinidad & Tobago, que havia sido o segundo colocado com 38.06, herdou o primeiro lugar. O Japão passou de terceiro para segundo, com 38.15. E o Brasil, que fez 38.24, ficou com o bronze.

Vicente já tinha uma medalha olímpica, a prata em Sydney-2000, também no revezamento 4×100 m, comentou: “Não sei demonstrar direito meus sentimentos. Claro que é uma alegria imensa receber outra medalha e entrar para o grupo restrito de atletas brasileiros com duas conquistas olímpicas. Mas dá também uma tristeza pelo fato de ter demorado tanto”, disse o ex-velocista.

Nílson de Oliveira André e Rafael da Silva Ribeiro foram os reservas da equipe, orientada por Jayme Netto.

O presidente do Conselho de Administração da Confederação Brasileira de Atletismo, Warlindo Carneiro da Silva Filho, comemorou na época. “O competir limpo é o correto, pois ganhará, na realidade, o melhor e nossos atletas estão de parabéns”, comentou Warlindo. “Os Jogos de Pequim marcam a melhor campanha do Brasil na história, com o ouro da Maurren e os bronzes dos revezamentos.”

A Caixa é a Patrocinadora Oficial do Atletismo Brasileiro.

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